Uma serpente colossal de oito cabeças e oito caudas devorava, todo ano, uma filha de um casal de divindades japonesas, até restar apenas uma. Um deus expulso do céu armou um plano genial: preparou oito tinas inteiras de saquê forte. A serpente bebeu de todas, embriagou-se e foi decapitada enquanto dormia. Dentro de uma das caudas, ele encontrou uma espada que se tornaria um dos três maiores tesouros sagrados do Japão.
Serpente colossal de oito cabeças e oito caudas, com olhos vermelhos como o physalis, corpo coberto de musgo e ciprestes, longo como oito vales e oito colinas. Devora anualmente uma das filhas de um casal de divindades terrestres.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Yamata-no-Orochi ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.