Pequeno, feio, com pernas atrofiadas, vestido de folhagem e carregando um machado de pedra: esse ser não parece nada atraente à primeira vista. Mas a lenda diz que seu olhar exerce um poder de sedução irresistível sobre jovens mulheres. No Chile, essa história tinha uma função prática e discreta: explicar gravidezes de solteiras sem nenhum escândalo familiar, "foi o Trauco", e pronto, ninguém precisava perguntar mais nada.
Ser pequeno, feio e disforme, de pernas atrofiadas, vestido de quilineja (uma trepadeira) e portando um machado de pedra. Apesar do aspecto, exerce poder de sedução irresistível sobre as jovens, que engravida; seu olhar pode torcer a cabeça ou matar.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Trauco ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.