Leite que azeda sozinho, ovos quebrados sem explicação, ferramentas que somem e reaparecem em outro lugar: famílias ibéricas tradicionalmente atribuíam todos esses pequenos infortúnios domésticos a um espírito travesso, quase sempre invisível, morando dentro de casas antigas e celeiros. Deixar comida e manter a casa organizada eram formas práticas de apaziguar esse incômodo persistente, mais brincalhão do que realmente perigoso.
Espírito doméstico travesso, geralmente invisível ou visto apenas como sombra fugaz, que habita casas antigas e celeiros, conhecido por esconder objetos, fazer ruídos noturnos e pregar peças nos moradores — mais incômodo persistente que ameaça séria.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Trasgo ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.