Em vasos de bronze chineses com quase quatro mil anos, existe uma máscara monstruosa de olhos enormes e presas escancaradas, sem corpo nenhum. Um texto antigo a descreve devorando um homem sem nunca conseguir engolir de verdade, ferindo a si mesma de tanta gula. Essa imagem virou um aviso poderoso contra a ganância: quem devora demais, acaba sempre se machucando primeiro.
Máscara monstruosa frontal, em geral sem corpo ou com corpo apenas sugerido, de olhos protuberantes, chifres, presas e fauces escancaradas. Encarna a gula (taotie significa 'glutão voraz'), e é um dos Quatro Perigos (Si Xiong) da mitologia.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Taotie ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.