Uma viúva poderosa e rejeitada, feiticeira do Java antigo, viu sua filha ser recusada por todos os pretendentes possíveis. Em vingança, ela desencadeou uma praga terrível sobre o reino inteiro. Dessa lenda nasceu uma das figuras mais temidas de Bali: rainha das bruxas, comedora de crianças, eternamente em guerra ritual contra um leão sagrado, numa dança que nunca tem vencedor definitivo.
Bruxa monstruosa de aspecto pavoroso: longos cabelos desgrenhados, olhos esbugalhados, presas, língua flamejante e pendente, seios caídos e garras compridas. Rainha das leyaks (bruxas) e devoradora de crianças, comanda as forças do mal.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Rangda ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.