No início de tudo, segundo a tradição aborígene mais antiga e contínua do mundo, uma serpente colossal serpenteou pela terra ainda vazia, escavando com seu próprio corpo os rios, vales e montanhas que existem até hoje. Ela traz vida e fertilidade pela chuva, mas também pune severamente quem viola as leis sagradas, manifestando sua fúria em forma de enchentes, secas e doenças que assolam comunidades inteiras.
Serpente colossal associada à água, à chuva e ao arco-íris, criadora e modeladora da paisagem: ao serpentear pela terra no Tempo do Sonho, escavou rios, vales e montanhas. É fonte de vida e fertilidade, mas também força punitiva que castiga quem viola a lei e os tabus.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Serpente Arco-Íris ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.