Existe uma criatura tão gentil que, segundo a lenda chinesa, nunca pisa na grama nem machuca nenhum ser vivo. Ela só aparece em tempos de paz e justiça, e diz a tradição que uma delas anunciou o nascimento de um dos maiores sábios da história da China. Séculos depois, quando girafas africanas chegaram pela primeira vez à corte chinesa, foram confundidas justamente com essa criatura sagrada.
Quadrúpede quimérico de bom agouro, com traços de cervo, corpo escamado ou coberto de chamas, cascos e um ou dois chifres. Gentil a ponto de não pisar na grama nem ferir criatura viva, surge em tempos de paz e virtude.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Qilin ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.