Imagine alguém entrando na sua casa sem ser convidado, sentando à mesa, servindo seu próprio chá e fumando tranquilamente, como se fosse o dono do lugar. No Japão antigo, essa figura era um velho de cabeça estranhamente alongada que entrava furtivamente ao entardecer, justamente quando a família estava ocupada demais pra questionar a presença dele. Na cultura pop moderna, ele virou nada menos que o comandante supremo de todos os yokai.
Velho de cabeça alongada (em forma de cabaça ou gota) e vestes de monge ou nobre, que entra furtivamente nas casas ao entardecer, quando os moradores estão ocupados, senta-se, serve-se de chá e fuma como se fosse o dono — sem que ninguém ouse questioná-lo.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Nurarihyon ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.