Todas as noites, um imperador japonês adoecia mais e mais, sem que ninguém entendesse o motivo. Uma nuvem negra pairava sobre o palácio, e um grito agourento ecoava antes de cada crise. Um guerreiro, suspeitando de algo escondido ali dentro, mirou seu arco direto pro centro da nuvem e disparou. O que caiu do céu era uma quimera com cabeça de macaco e cauda de serpente, e o imperador, finalmente, se curou.
Quimera japonesa com cabeça de macaco, corpo de tanuki (ou de tigre), patas de tigre e cauda de serpente. Aparece como uma nuvem negra sobre o palácio e seu grito agourento, semelhante ao do pássaro tora-tsugumi, traz doença e infortúnio.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Nue ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.