Você reconhece um vizinho, uma vendedora ambulante, uma mulher chorando na rua. Tudo parece completamente normal, até a pessoa se virar pra você. Onde deveria haver um rosto, não existe absolutamente nada: nem olhos, nem nariz, nem boca, só pele lisa demais. Numa das histórias mais famosas dessa lenda japonesa, um homem foge apavorado de uma dessas criaturas só pra encontrar outra, exatamente igual, momentos depois.
Aparenta-se a uma pessoa comum — vizinho, vendedora ambulante, mulher chorando — até que, ao se virar ou ser confrontado, revela um rosto completamente liso, sem olhos, nariz ou boca, provocando terror puro no observador.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Noppera-bō ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.