Um jovem belíssimo corteja uma moça, conquistando sua confiança aos poucos. O que ela não vê, escondida sob o cabelo dele ou debaixo de um chapéu, é uma segunda face na nuca: mandíbulas de hiena prontas pra triturar. Só quando ela já confia completamente nele, essa segunda face se revela, e é tarde demais pra fugir. Histórias antigas contam sobre as poucas que descobriram a tempo e escaparam.
Ser com duas faces: na frente, o rosto sedutor de um belo jovem; atrás, oculta sob o cabelo ou um chapéu, a face de uma hiena com mandíbulas trituradoras. Corteja moças e, conquistada a confiança, devora-as com a segunda face.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Kishi ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.