Toda casa eslava tinha, atrás do fogão, um espírito que media o equilíbrio da família morando ali: se a casa fosse organizada e respeitosa, ela ajudava nas tarefas domésticas; se fosse bagunçada, ela embaraçava a fiação, causava insônia e sentava no peito de quem dormia, como um pesadelo vivo. Existia até uma versão dela morando nos pântanos, esposa de outro espírito ainda mais selvagem.
Espírito da casa, esposa ou contraparte do domovoi, que habita atrás do fogão ou no porão. Em uma vertente é protetora laboriosa; em outra, atormenta os moradores, embaraça a fiação e provoca insônia, sentando-se sobre o peito como o pesadelo.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Kikimora ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.