Um guarda-chuva de papel velho, jogado fora sem o menor cuidado, ganha vida própria: um único olho enorme, uma língua comprida saltando pra fora, e uma única perna que pula em vez de andar. No Japão, acreditava-se que objetos usados por cem anos, ou descartados com desrespeito, ganhavam alma e podiam voltar pra se vingar de quem os abandonou sem nenhuma consideração.
Guarda-chuva de papel velho com um olho só, língua comprida saltando da boca aberta e uma perna única que pula em vez de andar; assombra casas onde objetos foram descartados sem o devido respeito.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Karakasa-obake ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.