Existe uma criatura sem rosto, sem olhos, sem ouvidos, sem boca, vivendo feliz exatamente como é. Dois imperadores vizinhos, querendo agradecê-la por sua bondade, decidem furar suas sete aberturas dos sentidos, uma por dia, achando que estavam fazendo um favor. No sétimo dia, completamente perfurada, a criatura morre. A lição filosófica por trás disso é direta: forçar ordem demais sobre algo perfeito do jeito que é pode acabar destruindo o que era mais valioso.
Ser informe e sem rosto, semelhante a um saco ou massa amorfa, sem olhos, ouvidos, narinas nem boca — as sete aberturas dos sentidos. Encarna o estado original indiferenciado do mundo, anterior à ordem e à distinção.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Hundun ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.