Uma raposa vive séculos absorvendo energia do sol, da lua e dos humanos, até ganhar o poder de virar uma mulher belíssima. Algumas dessas raposas seduzem homens só pra drenar sua energia vital até a morte. Mas em muitas outras histórias, elas se tornam amantes leais e generosas, capazes de amor verdadeiro. Uma concubina lendária que ajudou a derrubar uma dinastia chinesa inteira é, até hoje, descrita como uma dessas raposas disfarçadas.
Raposa que, com a idade e a prática espiritual, adquire poderes mágicos e a capacidade de assumir forma humana — em geral de mulher de extraordinária beleza. Ambivalente, pode ser sedutora maligna ou cultivadora benévola do Tao.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Huli Jing ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.