Metade homem, metade bode, com chifres na cabeça e patas de cabra: esse espírito romano protegia os campos e os rebanhos, e tinha um dom especial de sussurrar o futuro pra quem soubesse escutar nas matas. Séculos depois, a igreja cristã pegou exatamente esses chifres e essas patas e usou pra criar a imagem mais conhecida do próprio diabo.
Espírito masculino do campo e do gado, meio homem e meio bode, com chifres e patas caprinas. No singular é o deus Fauno; no plural, os faunos formam um cortejo agreste assimilado aos sátiros gregos.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Fauno ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.