Nas festas juninas da Amazônia, um homem belíssimo, alto, sempre de chapéu, aparece do nada na festa, dança a noite toda, seduz as moças mais bonitas e desaparece antes do amanhecer. O chapéu esconde o segredo: por baixo dele está o respiradouro de um boto-cor-de-rosa, que saiu do rio só pra aquela noite. Essa lenda explicava, de forma gentil, gravidezes de moças solteiras sem nenhum escândalo familiar.
O boto que, nas noites de festa (sobretudo nas festas juninas), sai do rio transformado em homem belíssimo, alto, elegante, sempre de chapéu (para esconder o respiradouro na cabeça). Seduz as moças, engravida-as e volta ao rio antes do amanhecer.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Boto-cor-de-rosa ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.