Antes de qualquer outra coisa existir, antes mesmo do tempo começar a contar, uma única ave teria pousado sobre a primeira colina a emergir das águas do caos primordial egípcio. O grito dela, dizem, rompeu o silêncio absoluto e marcou o início de tudo. Séculos depois, um historiador grego visitou o Egito e descreveu essa mesma ave renascendo das próprias cinzas, dando origem à lenda da fênix que conhecemos até hoje.
Ave autocriada ligada ao sol e à renovação, representada como uma garça-real (ardeídea) de longas pernas e duas plumas eretas na cabeça, por vezes pousada sobre a pedra benben ou sobre um salgueiro. Encarna a alma (ba) de Rá e de Osíris.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Bennu ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.