Todas as noites, sem exceção, uma serpente colossal tenta engolir o sol antes que ele consiga nascer de novo. Os sacerdotes egípcios queimavam estátuas de cera dela, recitando feitiços todos os dias, num ritual que nunca podia parar. Por quê? Porque, segundo essa crença, o próprio nascer do sol dependia disso. Essa batalha nunca termina de verdade, ela só se repete, dia após dia, pra sempre.
Serpente colossal (Apep, gr. Apófis), inimiga primordial do deus-sol Rá, que personifica o caos, as trevas e o não-ser. Não tem culto positivo: existe apenas como ameaça a ser combatida e ritualmente aniquilada todos os dias.
No corpus folclórico e mitológico compilado pelo Codex Monstrorum, a criatura Apep ocupa uma posição representativa na imaginação simbólica de sua civilização de origem. Suas narrativas articulam temores humanos fundamentais, tensões com a natureza desconhecida e códigos de conduta social expressos sob a forma do bestiário fantástico.